terça-feira, 28 de junho de 2022

Plantas Daninhas

 

 

Karen Dessimoni Cartaxo Sprenger - Eng. Agrônoma

Palestra proferida no dia 31/05/2000

 

“Plantas daninhas são as plantas, de qualquer espécie, que estão no local errado.”

Podem ser espontâneas ou introduzidas de outros locais. Muitas delas podem ser utilizadas como indicadoras de condições do local.

Exercem efeitos alelopáticos positivos e negativos.

Exigem grande esforço para seu controle, sendo sua erradicação possível apenas em pequenas áreas, e não para todas as espécies. Algumas espécies são consideradas benéficas para o homem. Portanto, poderíamos chamá-las de PLANTAS INVASORAS, PLANTAS ESPONTÂNEAS, PLANTAS INDICADORAS, PLANTAS CURATIVAS.

 

MÉTODOS DE CONTROLE

Para o controle das plantas invasoras podemos utilizar um conjunto de medidas que devem ser sempre observados. CONTROLE PREVENTIVO

Evita a infestação de áreas limpas.

Na compra de sementes, verificar o grau de pureza;

Na hora do plantio de mudas fazer limpeza do torrão ou mesmo eliminar a terra toda dos jacás;

Evitar uso da mesma ferramenta em áreas infestadas e não infestadas, sem uma limpeza adequada;

Tomar cuidado com os calçados quando “visitar” áreas infestadas;

Cuidado redobrado com TERRA PRETA, COMPOSTO, HÚMUS;

As plantas ditas daninhas tem uma grande capacidade de adaptação e multiplicação, portanto, quando encontrar uma plantinha linda que você não conhece, coloque-a em quarentena antes de plantá-la em seu jardim.

Algumas plantas invasoras são benéficas, portanto não as elimine indiscriminadamente.

 

CONTROLE CULTURAL

Manter o solo sempre coberto, seja a cobertura viva ou morta;

Alterar o espaçamento de plantio, proporcionando o sombreamento do solo;

Realizar a limpeza das plantas antes de seu florescimento;

Evitar a colocação dessas plantas em composteiras, pois muitas delas se propagam por via vegetativa.

 

HÁBITO DAS PLANTAS INVASORAS A versatilidade dessas plantas é muito grande, assim podemos encontrar plantas anuais de verão ou inverno, bienais e perenes; 

herbáceas, subarbustivas, arbustivas, arbóreas, trepadeiras e epífitas; específicas de uma região ou disseminadas por todo o globo terrestre (tiririca); reprodução por sementes ou propagação vegetativa; terrestres ou aquáticas.

 

ALELOPATIA Ação de afetar outras plantas por meio de substâncias liberadas para o meio, pelas raízes ou qualquer outra parte da planta, podendo ser considerada uma ação indireta de uma planta sobre outra.

Esta ação pode ser positiva, estimulando a outra espécie, ou negativa, dificultando o desenvolvimento da outra espécie, podendo ocorrer da planta daninha para a planta cultivada ou vice-versa.

 

ENFERMEIRAS DO SOLO



Capim Barba de Bode (Aristida pallens) - típica de locais onde se utiliza fogo para a limpeza do terreno, evidencia pobreza em fósforo (P), cálcio (Ca) e potássio (K). Fazendo uma boa roçada, evitando- se o fogo e realizando adubação desaparece em um ano. 




 

Beldroega (Portulaca spp) - invasora de solos ricos, sem necessidade de controle pois normalmente não prejudica as plantas cultivadas e protege o solo.

 




Maria mole (Senecio brasiliensis) - é tóxica para o gado, evidenciando camada de solo adensada. Regride com adubação potássica e uso de plantas com raízes profundas.

 




Capim Rabo de Burro (Andropogon spp) - invasor de terras abandonadas, indica solos muito ácidos, baixo teor de cálcio e camada de compactação. Com uso de plantas de raiz profunda e correção do pH tende a desaparecer.

 




Carqueja (Baccharis sp) - preferem terrenos que encharcam na temporada de chuva e fiquem secos na estiagem. Indica solos pobres em molibdênio, serve como remédio para males do estômago, intestino e fígado (folhas estreitras)







            

Cravo de Defunto (Tagetes ereta e Tagetes minuta) - ocorre em solos com nematóides, alterando seu porte de acordo com as condições do solo.

 





Dente de Leão (Taraxacum officinalis) - indica presença de boro (B) no subsolo, suas folhas novas são comestíveis, sendo também medicinal.

 




Guanxuma (Sida spp) - invade terrenos com subsolo adensado ou solos erodidos, Em solos pobres se desenvolve pouco e em solos ricos desenvolve-se bem. Tem ação medicinal. 

 





Mentrasto (Agerathum conyizoides) - indica melhoramento do solo, sendo tomada como planta sanadora de solos decaídos, não prejudicando as culturas, sendo também medicinal. 

 





Nabiça (Raphanus raphanistrum) - indica carência de boro e manganês.

 




Papoula (Papaver spp) - indica solos ricos em cálcio. Samambaias - indicadoras de presença de alumínio, logo, pH

baixo.



 


Tanchagem (Plantago major) - prefere solos úmidos e tem propriedades medicinais.

 





Tiririca (Cyperus rotundus) - indica solos ácidos, adensados e temporariamente encharcados, vicejando em solos deficientes em magnésio. Sofre ação alelopática negativa do feijão de porco, sendo muito sensível ao sombreamento e não sofrendo com a ação dos herbicidas.



                                                            Boletim “O Regador” – n˚44

 


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