A boa notícia é que chocolate faz bem ao coração, melhor ainda se for chocolate orgânico
Um estudo apresentado em Amsterdã, na Holanda, durante um congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, concluiu que o chocolate é o mais novo aliado do coração. Substâncias presentes no cacau, os flavonoides, ajudam a combater a oxidação da circulação sanguínea, melhorando assim a saúde das artérias e do coração.
Os flavonoides são encontrados também em vários tipos de frutas, mas estudos recentes mostram que o cacau está entre suas fontes mais ricas. Assim, um chocolate de boa qualidade apresenta capacidade antioxidante três vezes maior que a do alho e dos morangos.
O chocolate é originário da América do Sul, onde nativos já utilizavam as valiosas sementes de cacau como moeda. O chocolate é um dos ingredientes mais antigos da culinária, com registros desde 1400 a.C. Já foi consumido como fruto, depois como bebida, e se transformou em barra adocicada pelos europeus no século XIX.
O chocolate foi muito difundido pelo povo Maia que desenvolveu a cultura do cacau na província de Yucatan, no México. Os Maias e Astecas utilizaram as amêndoas do cacau (Theobroma cacao) para preparar o “Xocolatl”, uma bebida amarga e geralmente temperada com baunilha e pimenta. Acreditava-se que essa combinação combatia o cansaço e que também era afrodisíaca. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia.
Em 1519, o explorador espanhol Hernando Cortez conheceu o chocolate em visita à corte do imperador Montezuma, no México. Em 1838 o historiador William Hickling, descreve a história da conquista do México e relata que na corte do imperador Montezuma, o chocolate servido era aromatizado com baunilha e outras especiarias. O fato de o imperador Montezuma consumir chocolate antes de entrar em seu harém, levou à crença que o chocolate era um afrodisíaco. A partir daí, o chocolate começou a ser difundido no Velho Mundo. Durante dois séculos após ser introduzido na Europa, o chocolate foi servido como bebida; a forma pastosa foi introduzida como desjejum na França do século XVIII. Os efeitos estimulantes do chocolate eram considerados úteis para os soldados que ficavam de vigia à noite.
A abertura da primeira casa de chocolate ocorreu em Londres, em 1657, por um francês. No início, ele foi considerado um alimento especial, por seu valor nutricional e energético e somente mulheres, sacerdotes e nobres o consumiam em cultos da Igreja Católica. A Revolução Industrial trouxe a produção em série e tomou o chocolate um produto popular. Em 1765, John Hanan introduziu o chocolate nos Estados Unidos, ao levar sementes do oeste da Índia. A primeira fábrica de chocolate foi instalada no estado de Massachusetts. A partir daí, o chocolate foi amplamente difundido pelo mundo inteiro.
Atualmente, cerca de ¾ do cacau fornecido para a indústria de chocolate são cultivados na África Ocidental e a maior parte da fração restante no Brasil, mais precisamente no estado da Bahia. Entretanto, a produção de cacau no Brasil teve uma queda acentuada devido ao aparecimento da “vassoura de bruxa”, doença que ataca a planta, suas folhas e seus frutos. O setor cacaueiro viveu uma crise e os proprietários de fazendas de cacau necessitaram de momentos de completa reestruturação e alternativas para, em meio à crise, continuar com esta cultura tão nobre.
Uma destas alternativas é, sem dúvida, a produção de cacau orgânico. Pela natureza da cultura e suas condições de produção dentro da mata, a produção de cacau já está integrada com uma das bases da agricultura orgânica que, dentre outros princípios, determina a preservação do ambiente natural. Além disso, a não utilização de agrotóxicos e adubos químicos, poderá garantir uma melhor qualidade nutricional para o fruto do cacau. A constante reposição de matéria orgânica, característica da floresta, irá contribuir para a manutenção de um solo rico, equilibrado e capaz de atender as necessidades da planta.
A cultura do cacau é considerada artesanal, pois necessita de mão-de-obra em todas as etapas de plantio e colheita até a entrega da amêndoa para a industrialização. Nesse estágio, depois de separadas, as amêndoas entram na fase de fermentação, secagem e torrefação em baixa temperatura. Destas etapas dependerá o sabor do chocolate. Vários processos de manuseio se seguem, dependendo de como se queira o produto final.
A produção de cacau orgânico já é uma realidade na região sul da Bahia. A Bahia produz 60% da safra brasileira de cacau e a valorização devolve a esperança para muitos produtores da região, que começam a projetar dias melhores para o cacau baiano. A região de Ilhéus, na Bahia, continua famosa pela produção de cacau e guarda muitas histórias e pontos turísticos relacionados ao chocolate.
Atualmente, técnicas de produção orgânica estão sendo desenvolvidas, em completa sinergia com o meio ambiente. Algumas alternativas como culturas consorciadas (cacau, palmito, café, ervas, temperos, mandioca, milho, feijão, frutas e até seringueiras) estão sendo testadas e certamente terão bons resultados.
A produção de chocolate, a partir do cacau orgânico, está sendo desenvolvida em todo o mundo. Já existem marcas famosas de chocolate orgânico nas prateleiras de mercados da Europa e dos Estados Unidos e sua disponibilidade é uma ótima notícia para os amantes do chocolate.
Em resumo, a cultura do cacau absorve mão-de-obra, gera empregos e garante condições de melhoria social. O chocolate é indicado como um alimento energético, afrodisíaco, antioxidante, tônico cardiovascular e estimulante do bom humor. Sua versão orgânica se apresenta como uma alternativa viável de produção e toma o chocolate um alimento mais saudável, por não utilizar produtos químicos.
Produtos obtidos a partir da semente do cacau
Chocolate em pó - feito a partir da semente do cacau moída, sem a gordura da manteiga de cacau. Leva açúcar e é indicado para fazer brigadeiros e coberturas.
Achocolotado em pó - não é indicado para o preparo de doces. Produzido com chocolate em pó, leite em pó e açúcar, é bom para o preparo de bebidas quentes e frias.
Cacau em pó - após a trituração das sementes, elas são prensadas para extrair a manteiga de cacau e depois transformadas em pó. De acordo com sua concentração de cacau, o chocolate leva uma variação de 22% a 100%. Esta informação é fundamental para a confeitaria profissional, que trabalha com uma quantidade exata para o amargor, a doçura e a textura.
Chocolate branco - não contém cacau, apenas a manteiga, o açúcar e o leite. Dependendo da qualidade desta manteiga e do leite, pode ser bem branco ou amarelado. Ideal para recheios e coberturas.
Chocolate amargo – é o chocolate com maior concentração de cacau; por isso tem tonalidade mais escura e mais brilho. Indicado para todos os tipos de preparações, coberturas, recheios, bebidas ou musses.
Chocolate meio amargo – Produzido com menor concentração de cacau, contém açúcar em sua composição e é indicado para diversas receitas, desde bebidas até coberturas.
Chocolate ao leite – feito com parte de massa de cacau, leite e açúcar, ele é indicado para todos os tipos de sobremesas e doces, mas atenção para a quantidade de açúcar adicionada em sua receita.
Chocolate fracionado – não é totalmente puro, contém parte de gordura vegetal. 0 manuseio é fácil, por conter uma quantidade de gordura que dispensa a "temperagem". Tem preço acessível e bom rendimento. Indicado para fazer copinhos de chocolates, bom- bons, ovos de Páscoa e coberturas.
Chocolate dietético – isento de açúcar, destinado ao público diabético. Porém, algumas vezes, esta ausência é compensada com uma maior quantidade de gordura, o que o torna mais calórico do que os convencionais.
Chocolate hidrogenado – feito com uma grande quantidade de gordura de soja e gordura total, ele é considerado o pior chocolate pelos profissionais da área de gastronomia. Indicado para recheios e coberturas.
Como surgiram os ovos de Páscoa
A Páscoa surgiu há mais de dois mil anos, quando houve a libertação dos judeus escravizados pelos faraós egípcios. Eles conseguiram fugir, liderados por Moisés e chegaram a Canaã, a Terra Prometida. A comemoração recebeu o nome de “Pessach”, que significa "passagem". No caso, da escravidão para a liberdade.
Os cristãos batizaram o Pessach de Páscoa, que também marca outra passagem. Comemora-se a ressurreição de Cristo, quando Ele passa da morte na Terra para a vida no Céu. Para representar a Páscoa, foi adotado o ovo, símbolo da fertilidade. Porém, foi somente no século XIX, com o início da indústria de chocolate na Suíça, é que surgiram os tão famosos ovos de chocolate.
Fontes
Godiva Chocolate 17@chocolate-alliance.com.
Alimentos saudáveis - Reader’s Digest Agwsuisse
O Mundo dos Chocolates - Duetto
Páscoa com Sabor Caseiro - Nestlé
Boletim O regador nº 66