sexta-feira, 20 de março de 2026

Chocolate: curiosidades e informações

A boa notícia é que chocolate faz bem ao coração, melhor ainda se for chocolate orgânico




     Um estudo apresentado em Amsterdã, na Holanda, durante um congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, concluiu que o chocolate é o mais novo aliado do coração. Substâncias presentes no cacau, os flavonoides, ajudam a combater a oxidação da circulação sanguínea, melhorando assim a saúde das artérias e do coração. Os flavonoides são encontrados também em vários tipos de frutas, mas estudos recentes mostram que o cacau está entre suas fontes mais ricas. Assim, um chocolate de boa qualidade apresenta capacidade antioxidante três vezes maior que a do alho e dos morangos. 
    O chocolate é originário da América do Sul, onde nativos já utilizavam as valiosas sementes de cacau como moeda. O chocolate é um dos ingredientes mais antigos da culinária, com registros desde 1400 a.C. Já foi consumido como fruto, depois como bebida, e se transformou em barra adocicada pelos europeus no século XIX. 
     O chocolate foi muito difundido pelo povo Maia que desenvolveu a cultura do cacau na província de Yucatan, no México. Os Maias e Astecas utilizaram as amêndoas do cacau (Theobroma cacao) para preparar o “Xocolatl”, uma bebida amarga e geralmente temperada com baunilha e pimenta. Acreditava-se que essa combinação combatia o cansaço e que também era afrodisíaca. Lendas astecas dizem que o cacau surgiu do paraíso, pois acreditavam que quem o bebesse adquiriria poder e magia. 



     Em 1519, o explorador espanhol Hernando Cortez conheceu o chocolate em visita à corte do imperador Montezuma, no México. Em 1838 o historiador William Hickling, descreve a história da conquista do México e relata que na corte do imperador Montezuma, o chocolate servido era aromatizado com baunilha e outras especiarias. O fato de o imperador Montezuma consumir chocolate antes de entrar em seu harém, levou à crença que o chocolate era um afrodisíaco. A partir daí, o chocolate começou a ser difundido no Velho Mundo. Durante dois séculos após ser introduzido na Europa, o chocolate foi servido como bebida; a forma pastosa foi introduzida como desjejum na França do século XVIII. Os efeitos estimulantes do chocolate eram considerados úteis para os soldados que ficavam de vigia à noite.     


    A abertura da primeira casa de chocolate ocorreu em Londres, em 1657, por um francês. No início, ele foi considerado um alimento especial, por seu valor nutricional e energético e somente mulheres, sacerdotes e nobres o consumiam em cultos da Igreja Católica. A Revolução Industrial trouxe a produção em série e tomou o chocolate um produto popular. Em 1765, John Hanan introduziu o chocolate nos Estados Unidos, ao levar sementes do oeste da Índia. A primeira fábrica de chocolate foi instalada no estado de Massachusetts. A partir daí, o chocolate foi amplamente difundido pelo mundo inteiro. 



     Atualmente, cerca de ¾ do cacau fornecido para a indústria de chocolate são cultivados na África Ocidental e a maior parte da fração restante no Brasil, mais precisamente no estado da Bahia. Entretanto, a produção de cacau no Brasil teve uma queda acentuada devido ao aparecimento da “vassoura de bruxa”, doença que ataca a planta, suas folhas e seus frutos. O setor cacaueiro viveu uma crise e os proprietários de fazendas de cacau necessitaram de momentos de completa reestruturação e alternativas para, em meio à crise, continuar com esta cultura tão nobre. Uma destas alternativas é, sem dúvida, a produção de cacau orgânico. Pela natureza da cultura e suas condições de produção dentro da mata, a produção de cacau já está integrada com uma das bases da agricultura orgânica que, dentre outros princípios, determina a preservação do ambiente natural. Além disso, a não utilização de agrotóxicos e adubos químicos, poderá garantir uma melhor qualidade nutricional para o fruto do cacau. A constante reposição de matéria orgânica, característica da floresta, irá contribuir para a manutenção de um solo rico, equilibrado e capaz de atender as necessidades da planta. 
     A cultura do cacau é considerada artesanal, pois necessita de mão-de-obra em todas as etapas de plantio e colheita até a entrega da amêndoa para a industrialização. Nesse estágio, depois de separadas, as amêndoas entram na fase de fermentação, secagem e torrefação em baixa temperatura. Destas etapas dependerá o sabor do chocolate. Vários processos de manuseio se seguem, dependendo de como se queira o produto final. 
     A produção de cacau orgânico já é uma realidade na região sul da Bahia. A Bahia produz 60% da safra brasileira de cacau e a valorização devolve a esperança para muitos produtores da região, que começam a projetar dias melhores para o cacau baiano. A região de Ilhéus, na Bahia, continua famosa pela produção de cacau e guarda muitas histórias e pontos turísticos relacionados ao chocolate. 



     Atualmente, técnicas de produção orgânica estão sendo desenvolvidas, em completa sinergia com o meio ambiente. Algumas alternativas como culturas consorciadas (cacau, palmito, café, ervas, temperos, mandioca, milho, feijão, frutas e até seringueiras) estão sendo testadas e certamente terão bons resultados. A produção de chocolate, a partir do cacau orgânico, está sendo desenvolvida em todo o mundo. Já existem marcas famosas de chocolate orgânico nas prateleiras de mercados da Europa e dos Estados Unidos e sua disponibilidade é uma ótima notícia para os amantes do chocolate. 
     Em resumo, a cultura do cacau absorve mão-de-obra, gera empregos e garante condições de melhoria social. O chocolate é indicado como um alimento energético, afrodisíaco, antioxidante, tônico cardiovascular e estimulante do bom humor. Sua versão orgânica se apresenta como uma alternativa viável de produção e toma o chocolate um alimento mais saudável, por não utilizar produtos químicos. 

 Produtos obtidos a partir da semente do cacau
 
Chocolate em pó - feito a partir da semente do cacau moída, sem a gordura da manteiga de cacau. Leva açúcar e é indicado para fazer brigadeiros e coberturas.

Achocolotado em pó - não é indicado para o preparo de doces. Produzido com chocolate em pó, leite em pó e açúcar, é bom para o preparo de bebidas quentes e frias. 

Cacau em pó - após a trituração das sementes, elas são prensadas para extrair a manteiga de cacau e depois transformadas em pó. De acordo com sua concentração de cacau, o chocolate leva uma variação de 22% a 100%. Esta informação é fundamental para a confeitaria profissional, que trabalha com uma quantidade exata para o amargor, a doçura e a textura. 

Chocolate branco - não contém cacau, apenas a manteiga, o açúcar e o leite. Dependendo da qualidade desta manteiga e do leite, pode ser bem branco ou amarelado. Ideal para recheios e coberturas. 

Chocolate amargo – é o chocolate com maior concentração de cacau; por isso tem tonalidade mais escura e mais brilho. Indicado para todos os tipos de preparações, coberturas, recheios, bebidas ou musses. 

Chocolate meio amargo – Produzido com menor concentração de cacau, contém açúcar em sua composição e é indicado para diversas receitas, desde bebidas até coberturas. 

Chocolate ao leite – feito com parte de massa de cacau, leite e açúcar, ele é indicado para todos os tipos de sobremesas e doces, mas atenção para a quantidade de açúcar adicionada em sua receita. 

Chocolate fracionado – não é totalmente puro, contém parte de gordura vegetal. 0 manuseio é fácil, por conter uma quantidade de gordura que dispensa a "temperagem". Tem preço acessível e bom rendimento. Indicado para fazer copinhos de chocolates, bom- bons, ovos de Páscoa e coberturas. 

Chocolate dietético – isento de açúcar, destinado ao público diabético. Porém, algumas vezes, esta ausência é compensada com uma maior quantidade de gordura, o que o torna mais calórico do que os convencionais. 

Chocolate hidrogenado – feito com uma grande quantidade de gordura de soja e gordura total, ele é considerado o pior chocolate pelos profissionais da área de gastronomia. Indicado para recheios e coberturas. 




 Como surgiram os ovos de Páscoa 
     A Páscoa surgiu há mais de dois mil anos, quando houve a libertação dos judeus escravizados pelos faraós egípcios. Eles conseguiram fugir, liderados por Moisés e chegaram a Canaã, a Terra Prometida. A comemoração recebeu o nome de “Pessach”, que significa "passagem". No caso, da escravidão para a liberdade. Os cristãos batizaram o Pessach de Páscoa, que também marca outra passagem. Comemora-se a ressurreição de Cristo, quando Ele passa da morte na Terra para a vida no Céu. Para representar a Páscoa, foi adotado o ovo, símbolo da fertilidade. Porém, foi somente no século XIX, com o início da indústria de chocolate na Suíça, é que surgiram os tão famosos ovos de chocolate. 


Fontes 
Godiva Chocolate 17@chocolate-alliance.com. 
Alimentos saudáveis - Reader’s Digest Agwsuisse 
O Mundo dos Chocolates - Duetto 
Páscoa com Sabor Caseiro - Nestlé 

                                                                 Boletim O regador nº 66

segunda-feira, 30 de junho de 2025

A história dos filtros para café


Uma conversa histórica

 O café é muitíssimo apreciado pelos alemães. Em mais de 98% dos cerca de 22 milhões de lares, bebe-se regularmente esta bebida preta, que tanto anima: e esta afirmação é comprovada pelo facto de que na lista dos "best-sellers” das bebidas o café está à frente da cerveja. Foi também na Alemanha que se descobriu o processo de preparar café actuatmente mais apreciado - o filtro - e isto passou-se há mais ou menos 75 anos.

Melitta Bentz, de Dresden, dona de casa e mãe de família, era grande apreciadora de café. Este prazer contudo ”turvava-se” (no verdadeiro sentido da palavra) sempre que saboreava a sua bebida preferida, por causa da incomodativa "borra” - o resíduo escuro e amargo que se depositava no fundo da chávena. Um belo dia esta senhora de 35 anos de idade, teve uma "inspiração”: furou o fundo de uma caixa de lata e colocou sobre ele uma folha de papel mata-borrão do caderno do seu filho. A seguir, colocou o pó de café em cima e deitou água sobre ele - tendo assim "fabricado” o primeiro filtro para café! Isto passou-se em Dresden, no ano de 1908.

Porém a inventora considerava ter ainda um "senão”:  a água precisava de muito tempo para atravessar o papel mata-borrão, que era bastante grosso e até que isso acontecesse, já a deliciosa bebida estava fria, na maior parte das vezes. Também o formato do filtro se mostrou como não sendo o melhor. Foi então que Melitta e Hugo, o seu marido entusiasta e também dotado para trabalhos de “bricolagem”, foram procedendo a várias experiências, durante algum tempo ainda, até que em 15 de Dezembro de 1908 surgiu o "filtro primitivo” - um recipiente cilíndrico, de latão, com 13 cm de altura, dentro do qual se colocava um papel de filtro circular.

 

No mesmo ano Melitta Bentz passou a ter a patente do seu filtro de café, dada pelos organismos imperiais competentes. Então a inventora e o marido fundaram uma miniempresa: numa só divisão foram manufacturados os primeiros filtros, com a ajuda do próprio filho, ainda muito pequeno. O capital inicial da empresa era irrisório.

 

Em 1911, na Feira de Leipzig, o filtro surgiu como uma bomba” no campo das inovações; foi, contudo, ainda preciso chegar até ao formato definitivo do mesmo. Nos anos trinta apareceu no mercado um filtro, com o formato do actual, que se adaptava rigorosamente aos sacos de papel (já com o formato dos actuais).

Com a descoberta deste sistema de fazer café Melitta não encontrou só a maneira mais higiênica e saborosa de preparar o café, mas também, sem dúvida, a mais saudável. Ao torrar os grãos de café em verde surgem matérias primas que não são de facto importantes para o aroma, e que até podem causar perturbações gástricas. Como o papel não "filtra” apenas o pó do café, mas também uma parte destas matérias primas, à chávena chega apenas tudo o que é mais que suficiente para dar à bebida o seu sabor e aroma típicos.

Melitta Bentz, caracterizada pelos seus netos como "maternal, muito bondosa e bem-disposta”, faleceu em 1950, com a idade de 77 anos. Os seus filtros são hoje conhecidos em mais de cem países, e naqueles onde o café é preparado de outras formas, devido a antigas tradições, como por exemplo na Itália e nos Estados Unidos da América, vão sempre encontrando mais adeptos.


                  Fonte: Revista Burda - M 2018 C - 1983

sexta-feira, 14 de março de 2025

O jeito certo de combater formigas

Trecho extraído da reportagem de Bete Melo publicada no jornal O Estado de SãoPaulo, 20-dez-2000     


    Com as temperaturas elevadas, as pragas urbanas e rurais começam a manifestar-se com mais intensidade. E uma das que incomodam é a formiga. Formigas são insetos extremamente adaptados aos mais diversos ambientes. Causam danos no campo e nas cidades e à saúde pública. Estima-se em 180 mil as espécies de formigas no mundo, sendo cerca de 10 mil conhecidas.

Segundo o professor Odair Correa Bueno, do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp, Rio Claro), a maioria é benéfica. Algumas inclusive, contribuem para a fertilidade do solo e outras ajudam na polinização e no controle natural de pragas. Muitas vezes, é mais indicado ter o equilíbrio entre as populações de espécies diversas ao invés de destruir indiscriminadamente os formigueiros, afinal elas têm um papel na manutenção e equilíbrio do ecossistema, pois como tudo na Natureza, elas têm sua importância e razão de existir.

De acordo com pesquisas em Mirmecologia (campo de estudo especializado em formigas) nos últimos 50 anos, foram identificadas 1130 espécies de formigas, muitas consideradas pragas urbanas. 

Grande parte alimenta-se de sucos vegetais, seiva de plantas, néctar, substâncias e líquidos adocicados excretados por insetos. As carnívoras, como as lava-pés (Solenopsis spp), que vivem no campo e nas cidades, chegam a ser benéficas, pois alimentam-se de outros insetos, protegem as plantas e limpam o jardim. Entretanto, se aparecerem de forma elevada a história pode inverter-se, pois nas cidades ocorrem nos gramados e sua picada causa alergia; elas danificam instalações elétricas e alimentam-se de partes jovens, néctar e raízes das plantas; são agressivas e desalojam outras espécies nativas. 

                                                        Solenopsis - lava-pés

Formigas Cortadeiras - As formigas cortadeiras quemquéns (Acromyrmex) e saúvas (Atta), cultivam seu próprio alimento - um fungo, que normalmente encontra- se no interior do formigueiro e são espécies que causam muitos danos às plantas cultivadas. Elas ocorrem nas Américas e o maior número de espécies vive no Brasil. Para manter o crescimento das colônias, as saúvas precisam de muitas folhas, por isso causam grandes perdas na agricultura.

                                                   Acromyrmex - quemquéns


    
           
                                                         Atta - saúva


    Segundo o professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp-Botucatu, Luiz Carlos Forti, autor do manual Formigas Cortadeiras - biologia, ecologia, danos e controle, os prejuízos atingem até 14% em florestas de eucalipto e pinus, quando ocorrem mais de quatro colônias por hectare. Segundo ele, são necessárias 86 árvores de eucalipto e 161 de pinus para alimentar um sauveiro durante um ano. 

Já a espécie quemquém, causa um prejuízo de até 30% em reflorestamentos de eucaliptos quando existem cerca de 200 colônias por hectare. Lavouras comerciais também sofrem com o ataque. Professor Forti afirma que a saúva mata-pasto (Atta bisphaerica) pode destruir até 3,2 toneladas de cana/hectare/formigueiro.

Ambiente urbano - Entre os insetos sociais, as formigas foram as que mais se adaptaram às cidades. Algumas causam problemas em indústrias de alimentos, padarias, restaurantes, escritórios, instituições de pesquisa, biotérios, zoológicos, museus, cabines de eletricidade e centrais telefônicas. Algumas inclusive representam perigo à saúde pública quando invadem hospitais, transportando microrganismos patogênicos, atuando como vetores mecânicos, diz Odair Bueno. Segundo levantamento de Bueno, em 12 hospitais do Estado de São Paulo existem infestações de formigas de várias espécies, destacando-se a formiga-fantasma (Tapinoma melanocephalum) e a formiga-louca (Paratrechina lonficornis). Em um dos hospitais, 16,5% das formigas coletadas tinham bactérias patogênicas. Os berçários e as UTIs foram as alas com maior índice de infestação, segundo Bueno. Ele diz que a presença de formigas em áreas críticas e a ocorrência de altas taxas de bactérias patogênicas associadas são riscos em potencial na infecção hospitalar.


                                                    Tapinoma - formiga-fantasma

                                               Paratrechina lonficornis - formiga-louca

Controle na cidade e no campo - Segundo o professor Bueno, o controle das formigas ainda começa com a prevenção. O primeiro passo seria manter a higiene e a limpeza nos ambientes:

  • Eliminando restos de alimentos, tendo o cuidado especial com os doces, não deixar louças de um dia para o outro dentro da pia, pois são as fontes mais importantes de alimentos para as formigas;
  • Fechando bem embalagens, potes e recipientes com alimentos, principalmente com açúcar;
  • Inspecionando as áreas infestadas para descobrir os locais críticos, colocando iscas atrativas não tóxicas (me, geléias, sardinha, atum, carne de vaca crua, bolos) em tampinhas de plástico nos cômodos da residência, fábrica ou hospital. Deixar as iscas de duas a quatro horas e observar os locais de onde elas saem e entram;
  • Se a colônia estiver em instalações elétricas dentro das paredes ou em frestas nas construções, pode-se aplicar inseticida em pó seco;
  • A isca ideal não deve matar a formiga por contato, e sim entrar no ciclo alimentar da colônia por meio das operárias, que coletam a isca e passam o alimento para as larvas, rainhas e outras operárias por trofalaxia (boca a boca);
  • Sempre que aparecerem formigas, seguir a trilha, fechar com massa o orifício usado como entrada e saída e outros buracos utilizados pelas formigas. Se o formigueiro estiver em terra, pode-se colocar água fervente no olheiro, misturada com detergente;
  • O coentro e todas as plantas do gênero Piper (pimentas) também são eficientes dentro de casa (sob a forma de saches amarrados às plantas) ou nos jardins (secar partes das plantas, quebrar e espalhar pelo jardim);
  • Além de colocar suco e cascas de limão na entrada do formigueiro, pode-se usar borra de café, talco, pimenta e cinza de carvão para espantá-las;
  • Caso as formigas estejam em armários, ou em outros móveis, pode-se colocar fumo picado e cravo-da-índia. Casca de limão dentro do açucareiro e pedaços de limão murcho nos cantos dos armários e da pia, também afugentam as formigas, que não suportam o cheiro do limão;
  • Para prevenir formigas em aparelhos de som, televisores, computadores, convém fazer uma revisão periódica desses aparelhos;
  • No ambiente hospitalar a presença de formigas não indica falta de limpeza, algumas espécies são atraídas por material esterilizado, principalmente quando são usadas determinadas substâncias químicas para esterilizar roupas de cama e objetos;

  • Em hospitais e grandes edifícios, o controle mais efetivo é o uso de iscas tóxicas. Em caso de alta infestação, pode-se colocar fita dupla face nos pés-de-camas, macas, berços e incubadoras para impedir que as formigas subam, além de afastar os móveis da parede. Parte de vaselina sólida e uma parte de óleo hidratante para bebês ou mesmo graxa, também impedem o acesso de formigas;

Em áreas rurais ou nos jardins, Bueno sugere o uso dos seguintes métodos:

  • Se o formigueiro já estiver na terra do jardim ou do pomar, colocar água fervente no olheiro. Para obter melhor resultado, cavar até encontrar os ovinhos. É preciso proteger as pernas para evitar queimaduras com a água quente;
  • O uso de sementes de gergelim como iscas, para ninhos pequenos, na base de 30 a 50 gramas, ao redor do olheiro, é útil no combate às formigas, que vão carregá-las para dentro e oferecê-las como alimento aos fungos, que morrem. Um canteiro de gergelim, ao redor da horta, ou da área a ser protegida, pode ser eficiente no combate às formigas;
  • Mudas de hortelã-pimenta, calêndula e batata-doce podem ajudar a diminuir o ataque às plantas de seu interesse, pois as cortadeiras vão atacar preferencialmente essas espécies;
  • Menta, lavanda, manjerona, absinto, cravo-da-índia e alho servem como repelente, quando plantados e espalhados pelo jardim;
  • A cal destrói o alimento e as larvas das saúvas, sem o risco de contaminar a água. Para um formigueiro de 3 metros, basta 1 quilo de cal, aplicado com uma bomba insufladora nas entradas principais, enfiando a mangueira o mais fundo possível. Aplicar mais duas vezes com intervalos de uma semana;
  • Para evitar cortadeiras em árvores, pode-se usar graxa ou vaselina no tronco das plantas para evitar que as formigas subam;
  • O controle com inseticidas é extremamente complicado e deve-se tomar muitos cuidados. Quem preferir usar iscas granuladas não deve aplicá-las em dias chuvosos ou com previsão de chuvas, nem as manuseá-las com as mãos desprotegidas.

Formigas no Brasil

  • A formiga-fantasma (Tapinoma melanocephalum) é uma espécie conhecida por fazer trilhas irregulares e andar em zigue-zague. 
  • A formiga-louca (Paratrechina longicornis ou Paratrechina fulva) é uma espécie comum nas zonas urbanas. 
  • A formiga-fogo, a formiga-faraó, a formiga-carpinteira, a formiga-argentina são tipos de formigas domésticas. 

                                                                    Boletim O Regador,  n. 71




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Levantamento Biológico Rápido do "Parque da Graciosa"


                                                      André de Meijer  08 de Agosto de 2024

                                                 Bairro Alphaville Graciosa, município de Pinhais

    Anteontem, eu obtive mais um privilégio: pela primeira vez na minha vida pude entrar em Alphaville Graciosa, um loteamento pertencente ao Município de Pinhais e é uma das áreas mais fechadas e bem vigiadas da Região Metropolitana de Curitiba. Aconteceu o seguinte: o Centro de Jardinagem e Arte Floral do Paraná (Cejarte) tinha me honrado com o convite de realizar um “levantamento biológico rápido” (LBR) do ‘Parque da Graciosa’, um remanescente de cerca de 10 hectares de floresta nativa, no interior de Alphaville Graciosa.
    Antes da criação de Alphaville Graciosa, aquela floresta se situava dentro de uma fazenda e foi, aparentemente, bastante explorada, pois as samambaias arborescentes foram praticamente extintas (encontrei apenas dois exemplares: um de Cyathea atrovirens [xaxim-verde-escuro] e outro de Neoblechnum brasiliense [xaxim-petiço]). Até hoje o sub-bosque está praticamente sem plantas herbáceas e arbustivas. Apesar da regeneração ter começado, ainda serão necessários muitos anos para que esta floresta volte a ser rica em espécies vegetais e animais. Mas, o seu potencial é grande, devido à riqueza em exemplares adultos de Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná), Podocarpus lambertii (pinheiro-bravo) e outras árvores.
Na margem leste do bosque foi plantada uma fileira da nativa Podocarpus sellowii.
Na minha visita de anteontem ao Parque da Graciosa, que durou das 7:30h às 14:00h e com tempo ensolarado, obtive os seguintes números totais (contando somente as espécies de ocorrência espontânea): 88 angiospermas (incl. 10 exóticas), 13 samambaias (incl. 1 exótica), 2 licófitas, 18 aves e 12 borboletas. Mamíferos, répteis e anfíbios eu não registrei, mas segundo Marilene Konrath - funcionária da Associação Alphaville Graciosa Residencial, ocorrem ali tatu, cutia e teiú.
Todas as espécies que ali registrei são comuns na Região Metropolitana de Curitiba, com apenas uma exceção: encontrei uma espécie arbustiva de Piper que nunca tinha visto antes e que identifiquei como P. cf. viminifolium (murta; veja foto). Já que eu estava sem licença de coleta, peço a Marilene, para obter uma coleção deste material, atualmente florida, para depósito num herbário público. A planta ocorre num grupo na margem externa do bosque, ao lado leste.
Devido a atual estiagem, o interior do bosque estava muito seco, o que se manifestou pela pobreza de cogumelos: vi apenas 8 espécies (uma delas é comestível).

    O resultado deste levantamento será oferecido presenteado pelo Cejarte à Associação Alphaville Graciosa Residencial e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pinhais, que me deram a permissão para a realização deste trabalho.

    
    Foi combinado que eu vou retornar ao Parque Graciosa na tarde do próximo 4 de setembro, para mostrar aos membros do Cejarte as plantas, fungos e animais ali ocorrentes e dar seus nomes. Naquela ocasião, com tantos outros pares de olhos procurando, certamente conseguiremos acrescentar mais algumas espécies à nossa lista.





segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Sementeiras




A Semente
 
    Como escolher: quando vamos comprar uma semente devemos observar a espécie, porte da planta adulta e época de plantio. Além disso, devemos observar a pureza da semente e a data da validade.
 
    Como tratar: no geral as sementes não necessitam de tratamentos especiais. As sementes com casca muito dura podem ser deixadas de molho de um dia para o outro para facilitar a germinação. Sementes de plantas cultivadas no inverno podem se beneficiar se colocarmos o pacote em geladeira por uma semana antes do plantio.
 
 
 
    Podemos utilizar inúmeros recipientes como sementeira, por exemplo: copos de plástico, potes ou  bandejas especiais.
 
 
Substrato para recipientes
 
Os substratos para a sementeira podem ser comprados prontos ou pode ser feita uma mistura doméstica composta de:
 2/3 terra vegetal + 
 1/3 areia fina ou 1/3 terra comum + 
 1/3 terra vegetal + 
 1/3 areia fina.
 
 
 
    Geralmente as sementeiras são colocadas em ambientes protegidos, mas é possível fazer sementeiras em canteiros ao ar livre. Esses canteiros deverão ser bem afofados e deve-se retirar resíduos como tocos, gravetos, pedras, deixando a terra bem solta. As dimensões ideais são: 0,80m de largura x 2j00m de comprimento.
    Essas sementeiras ao ar livre deverãreceber uma cobertura para evitar a ação do sol e da chuva diretamente sobre o solo e as plantinhas novas.
 
 
Irrigação
 
    A irrigação na sementeira é muito importante. A terra deve se manter levemente úmida, jamais encharcada ou extremamente seca.
 
 
Luminosidade
 
    A necessidade de luz varia com o estágio de desenvolvimento. 
Bem no início é preciso que haja luminosidade no ambiente e gradativamente as plantinhas devem ser levadas para uma posição em que recebam sol direto, de preferência no período da manhã.
    Antes do transplante, pode-se levar o recipiente para o local definitivo de plantio e deixá-lo ali por alguns dias para que as plantas se acostumem com o novo ambiente. Depois desses dias de aclimatação, pode-se proceder ao transplante.
 
 
Semeadura
 
    A semeadura pode ser feita a lanço, em linhas ou em covas, sempre a uma profundidade de aproximadamente 2 a 3 vezes o tamanho da semente.
     Após a semeadura faça uma cobertura leve com vermiculita.
 
 
 
    Quando for realizar a semeadura, tenha em mente que se deve colocar pouca semente, o que diminui bastante o trabalho com o desbaste (retirada do excesso de plantas nascidas) e melhora a qualidade das mudas obtidas.
    As plantinhas estarão prontas para o transplante quando tiverem entre 6 a 10 folhas bem formadas.
    Quando for realizar o transplante, deixe o substrato levemente úmido. Procure transplantar logo pela manhã ou no final da tarde ou ainda, se possível, em dias nublados. Após o transplante faça uma boa rega. Nos 3 ou 4 primeiros dias após o transplante a plantinha fica um pouco murcha, mas depois se recupera. Caso isso não ocorra, providencie a substituição da planta para que o canteiro inteiro se desenvolva por igual.
 
 
Semeando em local definitivo
 
    É possível semear algumas plantas já no local definitivo. Para isso.prepare muito bem o canteiro deixando a terra bem soltinha e sem toco ou pedras. Faça a semeadura conforme descrito para sementeira, mas se for em linha ou em covas, verifique o espaçamento recomendado para sua planta.
    É possível fazer uma cobertura do canteiro até que apareçam as plantinhasFaça o desbaste se necessário e deixe algumas mudinhas de reserva para uma eventual necessidade. Não descuide da irrigação, evitando que o solo fique muito seco ou encharcado. 
    No mais é só apreciar o surgimento de novas plantinhas e curtir o seu jardim.


                                                                        Boletim "O Regador" - nº 64