André de Meijer 08 de Agosto de 2024
Bairro Alphaville Graciosa, município de Pinhais
Anteontem, eu obtive mais um privilégio: pela primeira vez na minha vida pude entrar em Alphaville Graciosa, um loteamento pertencente ao Município de Pinhais e é uma das áreas mais fechadas e bem vigiadas da Região Metropolitana de Curitiba. Aconteceu o seguinte: o Centro de Jardinagem e Arte Floral do Paraná (Cejarte) tinha me honrado com o convite de realizar um “levantamento biológico rápido” (LBR) do ‘Parque da Graciosa’, um remanescente de cerca de 10 hectares de floresta nativa, no interior de Alphaville Graciosa.
Antes da criação de Alphaville Graciosa, aquela floresta se situava dentro de uma fazenda e foi, aparentemente, bastante explorada, pois as samambaias arborescentes foram praticamente extintas (encontrei apenas dois exemplares: um de Cyathea atrovirens [xaxim-verde-escuro] e outro de Neoblechnum brasiliense [xaxim-petiço]). Até hoje o sub-bosque está praticamente sem plantas herbáceas e arbustivas. Apesar da regeneração ter começado, ainda serão necessários muitos anos para que esta floresta volte a ser rica em espécies vegetais e animais. Mas, o seu potencial é grande, devido à riqueza em exemplares adultos de Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná), Podocarpus lambertii (pinheiro-bravo) e outras árvores.
Na margem leste do bosque foi plantada uma fileira da nativa Podocarpus sellowii.
Na minha visita de anteontem ao Parque da Graciosa, que durou das 7:30h às 14:00h e com tempo ensolarado, obtive os seguintes números totais (contando somente as espécies de ocorrência espontânea): 88 angiospermas (incl. 10 exóticas), 13 samambaias (incl. 1 exótica), 2 licófitas, 18 aves e 12 borboletas. Mamíferos, répteis e anfíbios eu não registrei, mas segundo Marilene Konrath - funcionária da Associação Alphaville Graciosa Residencial, ocorrem ali tatu, cutia e teiú.
Todas as espécies que ali registrei são comuns na Região Metropolitana de Curitiba, com apenas uma exceção: encontrei uma espécie arbustiva de Piper que nunca tinha visto antes e que identifiquei como P. cf. viminifolium (murta; veja foto). Já que eu estava sem licença de coleta, peço a Marilene, para obter uma coleção deste material, atualmente florida, para depósito num herbário público. A planta ocorre num grupo na margem externa do bosque, ao lado leste.
Devido a atual estiagem, o interior do bosque estava muito seco, o que se manifestou pela pobreza de cogumelos: vi apenas 8 espécies (uma delas é comestível).
O resultado deste levantamento será oferecido presenteado pelo Cejarte à Associação Alphaville Graciosa Residencial e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pinhais, que me deram a permissão para a realização deste trabalho.
Foi combinado que eu vou retornar ao Parque Graciosa na tarde do próximo 4 de setembro, para mostrar aos membros do Cejarte as plantas, fungos e animais ali ocorrentes e dar seus nomes. Naquela ocasião, com tantos outros pares de olhos procurando, certamente conseguiremos acrescentar mais algumas espécies à nossa lista.